quinta-feira, 10 de maio de 2012

Serie de Reportagem: Historias da Esquadrilha da Fumaça.

Renan Contrera 
renancontrera@hotmail.com 



As primeiras fumaças

Na primeira técnica para a produção de Fumaça, os cambalhoteiros utilizavam um óleo que queimava na saída do escapamento, porém com uma fumaça muito fina.
Os aviões Fouga Magister foram os primeiros a produzirem fumaça colorida. Pelas características dessas aeronaves, os pilotos podiam utilizar uma mistura de tetracloreto de carbono com anilina, podendo variar as cores dos rastros.
                                                                            Foto:Acervo Esquadrilha da Fumaça 
Os atuais Tucanos utilizam uma versão melhorada da primeira a idéia inicial do T-6, diminuindo assim o peso do equipamento e exibindo uma fumaça mais densa e visível ao público. O sistema é composto de uma pequena bomba elétrica que injeta o óleo fino no escapamento. Este óleo é proveniente do tanque instalado no bagageiro da aeronave. Neste sistema, o avião melhora seu rendimento e mobilidade, bem mais eficiente que o sistema anterior.
O sistema anteriormente utilizado, nos Tucano T-27 era composto de 2 kits instalados nas asas. Pelo seu alto peso (125 libras) implicava em grande consumo de combustível, piorando também a aerodinâmica, implicada pelo grande arrasto.



Fumaça: uma idéia que deu certo

A introdução da fumaça no espetáculo dos aviões foi uma idéia do então Tenente Domenech, que, ao ver uma aeronave riscando nos céus do Colorado (Estados Unidos) uma marca de cigarro, desejou acrescentar este efeito às demonstrações dos cambalhoteiros.
Voltando à Escola de Aviação do Campo dos Afonsos, instalou um bomba fumígena em um dos T-6 para que ele soltasse um rastro de fumaça durante os vôos. Esta idéia acabou descartada, em virtude de testes mau sucedidos.
Procurando alternativas para concretizar seu projeto, o Ten. Domenech viu na praia de Ipanema (Rio de Janeiro), um avião escrevendo o nome de um produto no céu. Alí estava a resposta! Procurado, o piloto contou como fazia para soltar fumaça do avião.
Seguindo as orientações aprendidas, o Ten. Domenech desenvolveu, com alguns mecânicos a base técnica adotada até hoje para se produzir fumaça do aviões da Esquadrilha, que então ganhou seu nome definitivo. Pelo rastro que os aviões deixavam no céu, não foi difícil que os próprios colegas nomeassem os antigos cambalhoteiros.

Voar sem rádios

Obrigados a voar sem comunicação, por possuírem um único canal utilizado para se falar com a torre de controle, os pilotos utilizavam-se de sinais visuais e até gritos para conversarem, sinais estes copiados da aviação de caça da época.
Punhos fechados para manter a formação, balançar das asas sinalizando reagrupamento, balançar uma vez a asa direita para uma manobra violenta à direita e duas vezes se as manobras fossem para a esquerda, entre outras.
Com os avanços tecnológicos na comunicação, foram abolidos os sinais visuais hoje restritos a somente o balançar das asas para o público quando a demonstração está próxima do final.


                                                     Foto: Acervo/Internet 

Uma apresentação memorável

Com seu potencial já bem visto pela Força Aérea Brasileira, o Esquadrão conseguiu chamar atenção após uma apresentação memorável no Parque do Ibirapuera em São Paulo, capital.
Fazia um tempo nublado. Na última manobra daquela apresentação, o agrupamento liderado pelo Capitão, João Luiz Moreira da Fonseca, se viu entrando em uma densa nuvem no topo de um looping. O punho cerrado, era o sinal para que o Esquadrão mantivesse em formação a qualquer custo. Os pilotos continuaram a manobra, procurando mover o mínimo possível os comandos das aeronaves.
Foram momentos de tensão até, até que o público, ao vê-los reaparecendo por de dentro das nuvens chuvosas, com seus faróis acesos e estrondoso ronco dos motores, apladiu emocionado àqueles ases da aviação acrobática.

A primeira apresentação pública

14 de maio de 1954. A Esquadrilha da Fumaça, ainda conhecida como cambalhoteiros, sem insígnia e fumaça, fez sua primeira aparição pública na cidade de Mogi-Mirim/SP, com T-6.
Esta é a data que o Esquadrão oficialmente comemora o seu aniversário.
Somente 2 anos depois da primeira demonstração pública, a FAB deu crédito merecido ao grande potencial da Esquadrilha, devido a uma apresentação memorável feita em São Paulo, capital.

Esquadrão de Demonstração Aérea

8 de dezembro de 1983 foi a data oficial que o Esquadrão de Demonstração Aérea (E.D.A.) iniciou seus vôos acrobáticos pelo Brasil. Utilizando aviões Tucano T-27, a corporação pretende manter o espírito da primeira Esquadrilha da Fumaça criada em 1952.
Adminstrativamente estruturada, cada um dos pilotos de hoje tem atividades "fora do ar". Com cargos distribuidos entre os pilotos, eles são encarregados de manter a Esquadrilha não só como uma equipe acrobática, mas uma organização bem estruturada.

O Cometa Branco

1980. Foi com o nome de COMETA BRANCO e por intermédio do Brigadeiro-do-Ar Lauro Ney Menezes, comandante da AFA em Pirassununga, que a Esquadrilha da Fumaça voltou à ativa.
Em 10 de julho de 1980, com aviões T-25, o Cometa Branco fazia vôos para comemorar a entrega dos espadins aos cadetes que haviam na Academia naquele ano.

Unidade Oficial de Demonstração Aérea

1963. A Esquadrilha, depois de conquistado o prestígio do público por suas manobras, foi nomeada Unidade Oficial de Demonstrações Acrobáticas da Força Aérea Brasileira, sendo a única no mundo a utilizar, até 1969, aviões convenciais.
Também nesta época o Cel. Braga liderou a equipe, permanecendo a partir daí, durante 17 anos, componente ativo na Esquadrilha.

Fonte: Esquadrilha da Fumaça