segunda-feira, 4 de junho de 2012

Diretoria de Engenharia de Aeronáutica (DIRENG) comemora 70 anos

Renan Contrera
renancontrera@hotmail.com


Foto: DIRENG 

A Diretoria de Engenharia de Aeronáutica (DIRENG) comemorou (28/05) o seu 70º aniversário. No evento presidido pelo Comandante Geral de Apoio (COMGAP), Tenente-Brigadeiro do Ar Ar Hélio Paes de Barros Júnior. O Diretor de Engenharia, Major-Brigadeiro Engenheiro Francisco Carlos Melo Pantoja, recebeu autoridades civis e militares da área Rio de Janeiro, e demais convidados. 
A DIRENG foi fundada em 26 de maio de 1942, com o nome de Diretoria de Obras, passando, depois, a chamar-se Diretoria de Engenharia da Aeronáutica (1946), Serviço de Engenharia do Comando de Apoio de Infraestrutura (1967) e, a partir de 1978, novamente Diretoria de Engenharia da Aeronáutica. Hoje, a organização conta com quase 300 servidores, dentre militares e civis. 

A Diretoria de Engenharia atua na área da logística, em múltiplas frentes de modernização e revitalização da Força Aérea Brasileira, tais como: aquisição de novos carros de combate a incêndio, renovação progressiva da frota de veículos terrestres, aperfeiçoamento do sistema de gerenciamento de imóveis e elaboração de projetos de instalações e infraestrutura, sendo o órgão central dos sistemas de engenharia, de transporte de superfície, de contraincêndio e de patrimônio do Comando da Aeronáutica.

Para o ano de 2012, a organização programa calendário comemorativo, com atividades acadêmicas e culturais. “Fazer aniversário é uma oportunidade de se olhar para o passado e redescobrir a sabedoria da experiência. E é também o momento de se refletir sobre a construção do presente em favor do futuro”, disse o Major-Brigadeiro Pantoja.
 
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Fazer aniversário é uma oportunidade de se olhar para o passado e redescobrir a sabedoria da experiência. É também o momento de se refletir sobre a construção do presente em favor do futuro.
Há setenta anos foi criada a Diretoria de Obras, primeira denominação da DIRENG, com a atribuição de tomar as providências relativas ao projeto, execução e fiscalização de obras de interesse do Ministério da Aeronáutica. Naquela ocasião, o mundo vivenciava a Segunda Guerra Mundial, evento que trouxe consigo várias mudanças no panorama político, social e econômico internacional. O envolvimento do Brasil nesse conflito evidenciou o grande despreparo nacional para o emprego militar, o que incluía a incipiência da infraestrutura aeronáutica, bem como da indústria bélica. Esta conjuntura contribuiu para que a carteira de projetos da DIRENG, na época, incluísse a construção de quartéis generais, bases aéreas, parques industriais, hospitais, escolas e aeroportos necessários para o estabelecimento do recém criado Ministério. Foi aceitando esse desafio que a DIRENG adquiriu competência e credibilidade. Os resultados e reconhecimento logo despontaram no cenário nacional e é importante que hoje relembremos pelo menos alguns deles: a construção do aeroporto de São José dos Campos, a execução dos planos habitacionais das áreas do Galeão e dos Afonsos e a construção da Ponte do Galeão, ligando a Ilha do Governador ao continente, sendo esta a primeira ponte em concreto protendido em todo o continente americano, estabelecendo um recorde mundial em comprimento e constituindo-se como obra de indiscutível interesse público. Isso foi possível porque nossos pioneiros atuaram com dedicação, seriedade e responsabilidade social, além da necessária capacidade técnica. Isso foi possível porque a DIRENG não atuou sozinha, havia parceiros, havia visionários e existia uma vontade institucional. Isso foi possível porque havia sonhos, coragem e persistência.
Sabemos que essa época já passou, mas este olhar ao pretérito nos ajuda a compreender a situação atual e discernir o que deve ser feito para que tenhamos um futuro mais proveitoso.
Hoje não há, como havia há setenta anos, a necessidade premente de construção da infraestrutura aeronáutica brasileira. Contudo, o papel da tecnologia é cada vez maior no mundo e consequentemente o mesmo pode ser dito da atuação da engenharia, agora com muitas especialidades. Nas Forças Armadas há uma demanda maior por engenharia em todos os seus sistemas e a Estratégia Nacional de Defesa reconhece isto quando considera defesa e desenvolvimento como elos indissociáveis.
Não estamos em guerra mundial, pelo menos no sentido clássico, mas enfrentamos algumas crises no mundo, também relacionadas à sobrevivência da humanidade, e que requerem soluções criativas. Há, por exemplo, uma demanda por sistemas que promovam um desenvolvimento sustentável, e a Engenharia da FAB, em todas as suas áreas de atuação, precisa levar esse contexto em consideração, seja pela formação de uma cultura de consciência ambiental, ou pela busca de conformidade com a legislação. Se considerarmos um contexto mais específico, os conhecimentos de engenharia são de extrema importância para a logística militar nas competências relacionadas aos sistemas de gestão, simulação computacional, rastreabilidade, fenômenos de transporte, saúde ocupacional, entre outros.
Por outro lado, evidências mostram que há uma evasão de bons profissionais de engenharia não apenas no âmbito dos quadros das Forças Armadas, mas também do País, paradoxalmente num momento que essa competência se faz necessária, como já exemplificado. Portanto, senhoras e senhores os desafios da Engenharia no COMAER vão além do canteiro de obras.
É oportuno repensarmos o papel da DIRENG e reestruturarmos esta instituição. Isso não é apenas uma percepção interna. Recentemente, recebemos diretrizes do COMGAP nesse sentido e que naturalmente estão alinhadas com a vontade da Força Aérea. Embora está tarefa não dependa apenas de nós da DIRENG, somos os principais atores desta mudança. Precisamos rapidamente construir uma nova ponte. Uma ponte que nos ligue ao discernimento, entusiasmo, espirito de corpo, comprometimento e sustentabilidade de nossas competências. Uma ponte que nos alinhe às atuais expectativas do Comando da Aeronáutica e que faça com que a DIRENG volte a ser uma referência em engenharia no País. Uma ponte que eleve a produtividade desta instituição independentemente dos desafios que estão por vir.
Como diz a poesia imortal de Mario Quintana “O segredo é não correr atrás das borboletas - é cuidar do jardim para que elas venham até você”.

Maj Brig Eng Francisco Carlos Melo Pantoja
Diretor de Engenharia da Aeronáutica
 


Fonte: DIRENG