quarta-feira, 10 de julho de 2013

Amorim defende o uso de tecnologia nacional para defesa de redes de comunicação do País

Renan Contrera
renancontrera@hotmail.com                                   Foto: Jorge Cardoso

 O ministro da Defesa, Celso Amorim, defendeu hoje no Senado a necessidade de que o Brasil desenvolva softwares e outras ferramentas nacionais para proteção das redes de computadores de seus órgãos de Estado. “O desafio principal que temos é o de desenvolver ferramentas nacionais com brasileiros para nos defender”, afirmou.



Na companhia do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general José Elito de Carvalho Siqueira, Amorim participou de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da casa legislativa. O convite teve como motivação as denúncias de espionagem de comunicações de cidadãos, empresas e órgãos públicos por agências de inteligência dos Estados Unidos. 

Durante a reunião, o ministro Amorim admitiu haver fragilidade nos mecanismos de defesa das redes cibernéticas do País. “Porém, acho que, como em toda situação, o primeiro passo para se resolver o problema é diagnosticá-lo”, afirmou. “E acho que estamos diagnosticando corretamente que existe uma vulnerabilidade em termos de defesa cibernética”. 

O ministro da Defesa frisou, entretanto, que a fragilidade dos meios de segurança das redes de computador não é uma peculiaridade do Brasil, como pôde ser observado em declarações recentes de líderes mundiais europeus e sul-americanos a respeito das denúncias espionagem. “A Alemanha e a França, países que dispõem de sistemas muito sofisticados, a julgar pela declaração dos seus próprios líderes, também foram tomados de surpresa pela escala e pela amplitude dessas ações”, ressaltou. 

Amorim lembrou que até mesmo o ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, admitiu que seu país estava sujeito a ter um “Pearl Harbor cibernético”. “Se o secretário de Defesa dos EUA diz isso é porque é algo complexo de se conseguir resolver de um dia para outro”, disse, acrescentando que ele próprio mantém cuidados especiais com suas comunicações eletrônicas.

Satélite brasileiro

O ministro da Defesa, em resposta às perguntas feitas pelos parlamentares, também tratou do projeto de construção de um satélite geoestacionário a ser colocado em órbita por um consórcio brasileiro. O projeto prevê investimentos de R$ 720 milhões. A licitação deve ser concluída no fim do mês e a assinatura do contrato está prevista para agosto deste ano. A previsão é que o satélite geoestacionário entre em funcionamento 32 meses após o contrato assinado. 

Amorim afirmou que o projeto é prioridade. Ele explicou que a Defesa terá uma banda específica para comunicações militares, a chamada banda X. O ministro assinalou aos parlamentares a necessidade de o Brasil desenvolver satélites exclusivos para a defesa, além do geoestacionário em curso. “É um projeto e esses projetos custam caro, como custa também caro o Sisfron, que é uma prioridade nossa”, afirmou, fazendo referência ao sistema do Exército de monitoramento de fronteira. 

A audiência no Senado começou com o ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, lendo a nota oficial divulgada mais cedo pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República sobre as medidas tomadas pelo governo em relação às denúncias de espionagens (Leia aqui a íntegra na nota). 

Na audiência, os senadores fizeram perguntas sobre temas como a possibilidade de o Brasil conceder asilo ao ex-agente norte-americano Edward Snowden, apontado como o autor do vazamento dos documentos referentes à espionagem, bem como questões ligadas à internet e defesa das redes de computadores públicas e privadas. 

Ao término da reunião, os ministros conversaram com os jornalistas, ocasião em que Amorim voltou a defender a solução de softwares livres para os sistemas de comunicação nacionais.