quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Livro sobre a depressão escrito por Alexandre Caprio será lançando em Tanabi

Renan Contrera
Fotos: Pericoco Mídias e Idéias
Alexandre Caprio, psicólogo
cognitivo-comportamental lançou o
 seu primeiro livro em 29 de outubro
O livro “Devorador de Almas” escrito por Alexandre Caprio foi lançando no dia 29 de outubro em Rio Preto e terá um segundo lançamento em Tanabi. Livro faz parte da série Conhecimento que Transforma idealizada pela Pericoco Editoral em parceira com o Riopreto Shopping e a Revista Bem-Estar do Grupo Diário da Região. Confira nesta reportagem entrevista com o Alexandre sobre o livro, sobre a depressão, o livro e outros assuntos.

 O lançamento oficial do livro Devorador de Almas foi no dia 29 de outubro no Riopreto Shopping, além do momento de autógrafos, Alexandre deu uma palestra sobre o tema tratado no livro. O escritor do livro foi psicólogo cognitivo-comportamental  Alexandre Caprio, filho de Antônio Caprio, professor e escritor que tem vários livros publicados  retratando a história de Tanabi. O livro faz parte da série Conhecimento que Transforma de idealização da Pericoco Editoral em parceria com o Riopreto Shopping e com a Revista Bem-Estar do Grupo Diário da Região.

Este é o primeiro livro de Alexandre, no livro ele aborta o tema depressão que partir da convivência que teve com os pacientes com transtorno da depressão. O livro esta dividido em três partes, a primeira que é inédita e reúne quatro capítulos que dão nome ao livro. Na segunda parte traz complemento dos quatro capítulos inicias e na terceira parte reúne os 12 artigos do Alexandre publicados na Revista Bem-Estar, que faz parte do Jornal Diário da Região.


Na próxima quinta-feira, 10 às 20h na Câmara Municipal o Alexandre Caprio fará a palestra “Depressão, Resiliência e Superação de obstáculos”, após a palestra terá noite de autógrafos aos presentes.

Confira abaixo entrevista do Alexandre ao Blog Renan Contrera, onde ele fala sobre o livro, sua carreira, sobre a depressão e muito mais:

 Blog Renan Contrera: Explique para nós o que é um psicólogo com especialização em terapia cognitiva?

Alexandre Caprio: Um psicólogo cognitivo-comportamental é um profissional que trabalha em duas frentes diferentes: cognição (a forma como estruturamos os pensamentos e as emoções) e comportamento (resultado destes comportamentos e emoções). Todo pensamento gera uma emoção. Toda emoção gera um comportamento. Cada comportamento que temos cria uma reação no meio em que vivemos e nos oferece uma resposta, desencadeando outros pensamentos. Chamamos essa estrutura (pensamento-emoção-comportamento) de tríade cognitiva e é através dela que interagimos com tudo e todos ao nosso redor. Quando temos pensamentos nocivos, invariavelmente temos emoções e comportamentos também nocivos. Exemplo: se eu me sinto incompetente e incapaz de ser melhor (pensamento), sou tomado por inveja e raiva de quem consegue (emoção) e acabo atacando e denegrindo aqueles que invejo (comportamento). Quando nossos pensamentos são bons, a linha inversa acontece e nos tornamos pessoas em desenvolvimento, com a mente e o corpo mais sadios. O trabalho do psicólogo cognitivo-comportamental é encontrar os pensamentos distorcidos e corrigi-los, melhorando emoções, comportamentos e, de forma geral, a qualidade de vida do paciente.

Blog Renan Contrera: Em sua carreira profissional qual momento que te marcou mais?
Alexandre Caprio: Todos os momentos em que percebo que meu trabalho foi um divisor de águas na vida de uma pessoa são eventos memoráveis. Sinto-me feliz e recompensado em ter o poder de aliviar o sofrimento humano. Claro que alguns casos são críticos, como pacientes à beira do suicídio ou com tentativas de suicídio. Em momentos como esses, um profissional tem muito pouco tempo para explicar ao paciente o que está acontecendo e reverter parte do quadro antes que o pior aconteça. Um psicólogo deve estar preparado para trabalhar sob pressão. Não basta ser bom. Você tem que ser bom em um curto intervalo de tempo. Por isso o preparo não deve parar nunca. Cursos, livros, seminários são parte do trabalho e não devem ser deixados de lado nunca.

Blog Renan Contrera: Você tem artigos publicados em diversos meios de comunicação, fale um pouco sobre isso. E livro este é o primeiro livro ou você escreveu algum livro antes?
Alexandre Caprio: Comecei trabalhando em algumas matérias no Diário da Região no ano de 2008, junto com Cecília Dionízio, que admiro muito. Desde então, tenho colaborado com diversos temas em revistas, jornais e alguns livros locais. Como destaque, posso citar Cris Oliveira, Daniela Babtista e Carol Soler nas participações da Revista Domínios, Gisele Bortoleto, Juliana Ribeiro, Francine Moreno, Lígia Ottoboni e Elen Valereto no Caderno Vida & Arte e Revista Bem Estar do grupo Diário da Região. Já na TV, programas como o Revista de Sábado (TV Tem), SBT & Você, com Mira Filizola, Luciano Alvarenga, Lelé Arantes, TV Câmara e as ‘lives’ que a Revista Bem Estar tem realizado recentemente na net. Finalmente, dentro da área de projetos realizados ao vivo, parceiros como Rio Preto Shopping, Livraria Empório Cultural, Pericoco Mídias e Idéias e Secretarias da Assistência Social e Direitos Humanos de Tanabi. Participação em livros, tenho artigos publicados junto ao Centro Universitário do Norte Paulista (UNORP) e Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de São José do Rio Preto (IHGG). Mas o livro “O Devorador de Almas” é o primeiro em que sou, de fato, autor da obra completa.
O livro faz parte de série
Conhecimento que transforma

Blog Renan Contrera: Para escrever este livro falando sobre depressão, de onde você tirou as informações para a conclusão desta obra?
Alexandre Caprio: Basicamente de duas fontes principais: dos estudos publicados e da observação dos quadros que atendi nos últimos dez anos. Geralmente as pessoas chegam à clínica bastante desorientadas, com grande sentimento de culpa e desvalia. Sentem que regrediram suas habilidades, competências e que não conseguem mais recuperá-las. A perda da esperança em relação a si mesmo e ao futuro é o que desencadeia o processo de desistência da vida. Pouco a pouco o cérebro reduz sua atividade afetando memória, concentração e até mesmo as emoções. O corpo acompanha essa queda, passando a entrar em modo de economia de energia. A pessoa não sente mais vontade de fazer nada e pensa que o isolamento e a letargia são desejos autênticos quando, na verdade, já são manifestações do transtorno em desenvolvimento.

Blog Renan Contrera: O que tem levado as pessoas a terem depressão e quais são as ações ou atos que a pessoa que tem depressão faz?
Alexandre Caprio: São várias as causas que desencadeiam o transtorno de depressão. Fatores genéticos, ambientais, financeiros, sociais e relativos à autoestima são bem comuns. Segundo a Escala de Beck, o Transtorno de Depressão pode ser dividido em quatro níveis. No nível mínimo sentimos uma leve preguiça, muitas vezes tida como um simples retraimento ou recolhimento. No nível leve o transtorno já induziu o cérebro e o corpo a uma redução maior de atividade. Uma irritação e impaciência começam a se manifestar, consequência da diminuição de alguns neurotransmissores. As pessoas mais próximas acabam se tornando alvo dessa intolerância. A libido sexual, memória e capacidade de concentração sofrem os primeiros golpes. Quando o Transtorno de Depressão atinge o nível moderado, os sintomas anteriores se agravam e se somam a uma extrema dificuldade de se cumprir tarefas que, antes, eram simples, rápidas e fáceis de serem administradas. Obrigações profissionais e acadêmicas mais se assemelham a um martírio. Finalmente no nível grave, tarefas pequenas tornam-se obstáculos intransponíveis, aumentando nossa sensação de inutilidade e desvalia. As perspectivas em relação ao futuro desaparecem levando com elas nossos sonhos e motivações. A ideia de não existir mais surge com frequência e, mais tarde, dá lugar ao pensamento suicida. A pessoa começa, então, a planejar tirar sua própria vida e pode até pesquisar métodos para que consiga fazer isso com eficácia.

Blog Renan Contrera: A depressão para muitos não é considera como doença, isso acaba agravando a situação do paciente?
Alexandre Caprio: Ignorar o transtorno de depressão ou não acreditar em sua existência é exatamente o que o torna perigoso e, muitas vezes, fatal. A desinformação tem transformado essa doença em uma ameaça que mata pessoas de todas as idades, que não distingue classes sociais, muito menos fronteiras. Desinformada, a família critica o doente. Muitos são chamados de preguiçosos e ingratos, piorando ainda mais o quadro e levando à pessoa ao suicídio. Por drenar a vida com tanta eficiência sem que as vítimas percebam o que está acontecendo e, principalmente, por influenciar desejos e ações sem ser notado, eu comparei a depressão a uma entidade, que se apodera da mente, drena sua energia vital e depois descarta a carcaça, como uma grande aranha espectral. Essa comparação deu nome ao livro e, nele, relato casos como o de uma menina, que estava com o transtorno, e que foi acusada, por terceiros, de fazer a mãe sofrer. Esse episódio aumentou tanto a sua culpa que ela tentou o suicídio naquela mesma noite. O transtorno esvazia nossas emoções e nos deixa sem perspectiva. Isto é um grande risco, porque passamos a achar que não queremos mais continuar vivos. Esse desconhecimento é o que tem provocado aumentos consideráveis e gradativos das taxas de suicídio no mundo todo.
Não importa se você não acredita no transtorno de depressão. Ele continuará existindo e levando aqueles que o desprezam à morte. Leia mais, informe-se mais e faça terapia. Aprenda sobre ele e terá chance de vencê-lo. E como disse Sun-Tzu no livro “A Arte da Guerra”: “conheça o inimigo, o território e a ti mesmo e terá ampla vantagem e chance de vitória.”