quarta-feira, 22 de março de 2017

Cultura: Jovem educador lançará o seu primeiro livro em Tanabi

Renan Contrera

Será lançado em Tanabi no próximo sábado, 25, durante a premiação do concurso literário na Câmara Municipal o Livro “Letra de mão e mais algumas historietas escolares”, escrito por Edhson Brandão. O autor do livro morou por diversos anos em Tanabi e agora retorna para o lançamento de sua primeira obra literária.
Foto: Arquivo Pessoal
Edhson Brandão já morou em Tanabi
por diversos anos
Edhson Brandão, 27 anos, é escritor, pedagogo e professor de Educação Básica na Prefeitura de São Bernardo do Campo-SP.  Antes atuou como Arte-Educador na Fundação Casa, na APAE de nossa cidade e no Projeto Tanabi Cultural como educador social de artes cênicas. 

Nascido em São Paulo, Edhson passou grande parte de sua vida em Tanabi, cursando pedagogia em Monte Aprazível, e depois prestou concurso público em São Bernardo do Campo para lecionar.

No seu primeiro livro, Edhson Brandão reúne sete historietas, assim nomeia o autor, que une duas paixões: literatura e ensino. Desde criança o autor escreve crônicas, contos, poesias e peças de teatro, tem diversos textos publicados em várias revistas literárias e neste ano teve seu projeto literário selecionado para integrar o CLIPE (Curso Livre de Preparação para o Escritor) promovido pela Casa das Rosas e Secretaria Estadual de Cultura.

O lançamento oficial do livro foi no ano passado na capital paulista e nesta semana Edhson Brandão estará recebendo familiares e amigos para sessão de autógrafos depois da premiação do Concurso Literário.

Leia a seguir entrevista com o jovem Edhson Brandão para o Blog Renan Contrera:

Fonte de apoio: Diário da Região

Neste seu primeiro livro o que você retrata, e como foi à preparação dele?
Esta primeira obra surgiu de uma grande necessidade que tive de retratar artisticamente o ambiente escolar. Há algum tempo eu vinha escrevendo contos a respeito das situações cotidianas que vivencio na minha jornada docente. Percebi que há pouco material retratando as relações escolares de maneira literária então o “Letra de mão” aparece neste momento. A escrita dos contos que compõe o livro foi rápida, mas intensa. Haviam muitas ideias, porém restaram aquelas que mais se fizeram significativas ora pelo conteúdo crítico, ora pela poética que apresentavam.

Qual foi a sua inspiração para escrever este livro, tem algum caso em que chamou a sua atenção?
Escrevi todos os contos enquanto estava na função de coordenador pedagógico de uma escola em que trabalhei; durante este período sentia que não conseguia expressar tudo o que queria a respeito da educação escolar brasileira. Eu também já estava trabalhando na minha escrita e planejando desenvolver um projeto mais maduro então uni estas duas inquietações.

Fico muito surpreso com o retorno que as pessoas me dão após a leitura das historietas. A maioria das pessoas se identifica muito com as personagens e situações retratadas e o que me impressiona muito é justamente este fenômeno de reconhecimento. O que nos diz que a educação e as vivências escolares mudaram pouco uma vez que meus leitores são adultos.

Este é o seu primeiro livro publicado, mas tem vários trabalhos literários publicados em sites, blog e outros. Como é para você escrever, qual é a sua inspiração para escrever e como se sente ao ter os seus textos publicados?
O “Letra de mão” foi meu passe inicial para pertencer ao universo literário e tem me dado experiências bem interessantes. É difícil explicar o que é escrever para mim, posso tentar resumir dizendo que tudo isso parte da grande necessidade de dizer algo e retratar o mundo que vejo, sendo ele belo ou grotesco. Gosto de dizer também que escrevo porque o pássaro voa, a chuva cai e a noite chega. Hoje encaro a escrita como ofício. Dedico muitas horas de leitura e aperfeiçoando a estética da minha escrita. Minhas inspirações costumam partir do singelo e do efêmero. Gosto de retratar, principalmente, a classe média brasileira nos seus anseios e hipocrisias. Mas sinto-me livre para escrever a respeito de qualquer coisa desde que me incomode, me encante e me ocupe.

Um texto publicado é a conclusão do trabalho do escritor: livrar-se dele. Assim, a obra escrita cumpre o seu papel e busca seus leitores pertencendo ao mundo e a vida das pessoas. Gosto muito de ser publicado porque é uma boa resposta sobre a qualidade do que estou produzindo.

Você nasceu em São Paulo, mas viveu grande parte de sua juventude em Tanabi. Como foi para você este tempo que esteve morando aqui e se tem alguma lembrança marcante?

Tanabi é a grande cidade das histórias para mim. Muito do que sei e do que aplico por aqui eu aprendi nesta cidade. Aprendi a ser artista e professor no Rio das Borboletas então há muita gratidão pela cidade.

Como disse, há muitas lembranças mas posso dizer hoje que se tem uma em especial foi quando interpretei um texto meu (Nanael, expulso do céu) na Praça da Matriz durante a Semana da Cultura e Feira do Artesanato de 2007. Andava por toda a praça vestido de anjo e com uma mala enorme contando a história do anjo que amava uma garsa. Um primeiro ato de militância.

Você como educador, o que acha sobre a atual situação da educação no país e o que pode mudar?

Acho tantas coisas que não caberiam aqui, mas tento ser breve. A educação brasileira veio avançando muito até uns anos atrás com os programas de formação de professores e os incentivos à pesquisa que o governo ofertava. No entanto, tudo isso vem sendo interrompido, o que nos faz retroceder e perder muito. A escola brasileira precisa se livrar dos costumes arcaicos que ainda imperam e a sociedade precisa entender de uma vez por todas a importância do professor como agente social e que sua função está no mesmo patamar de médicos, juízes, advogados, etc.

Em tempos como estes acho difícil que mudanças benéficas surjam uma vez que estamos perdendo investimentos e programas necessários. O que desejo é que os cidadãos entendam que só se melhora o bairro, a cidade, o país e o planeta com educação e já passou da hora de termos isso como prioridade.

Serviço:
Lançamento do livro “Letra de mão e mais algumas historietas escolares”
Local: Câmara Municipal de Tanabi
Data: 25 de Março de 2017
Hora: 20h00- Durante a premiação do Concurso Literário