segunda-feira, 29 de julho de 2013

Eventos em Copacabana ficam sob a proteção de 10.200 homens das Forças Armadas

Renan Contrera
renancontrera@hotmail.com

 Após o cancelamento das atividades da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que aconteceriam em Guaratiba, na zona oeste do Rio, 2.500 militares da Marinha, 7 mil do Exército e mais 700 da Aeronáutica fizeram a segurança do Centro e zona sul da capital fluminense.


Fotos: Felipe Barra


A mobilização desses 10.200 homens das Forças Armadas teve o objetivo de assegurar o bom andamento dos dois eventos finais da JMJ, que tiveram a presença do papa Francisco: a vigília – ocorrida na noite de ontem (27) – e a missa de encerramento da Jornada, na manhã deste domingo. Ambos aconteceram na praia de Copacabana. 

A atuação das Forças Armadas foi decretada por meio do instrumento de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), assinado pela presidenta da República, Dilma Rousseff, e que dá poder de polícia aos militares em pontos específicos da cidade. No documento, a presença de homens fardados pelas ruas da cidade foi autorizada no trajeto de peregrinação dos fiéis: da Central do Brasil, passando pelo Aterro do Flamengo, e com fim em Copacabana, em um percurso de cerca de 9,5 quilômetros. A GLO teve validade para os dias 27 e 28 de julho.

Nas imediações do bairro carioca, desde ontem o camuflado dos uniformes misturou-se com o verde, amarelo e azul das roupas dos peregrinos. Uma equipe de militares que atuou nas ruas de Copacabana era do 26º Batalhão de Infantaria Paraquedista do Exército.

Utilizando as instalações da Escola Municipal Dom Aquino Corrêa, eles ficaram responsáveis pelo trecho entre as ruas Duvivier e Princesa Isabel. A operação para a segurança dos eventos teve início logo nas primeiras horas do dia de hoje, porém a montagem e deslocamento logístico das bases improvisadas das Forças aconteceram na última sexta (26). Foi possível avistar, também, a presença das Forças Armadas na entrada da Estação de Metrô Cardeal Arcoverde – local de grande fluxo de peregrinos.
Além do apoio terrestre, as Forças participaram em mar e no ar, com o patrulhamento da orla de Copacabana por quatro navios da Marinha do Brasil. No entanto, o plano da Força Naval incluiu, no total, outros quatro navios patrulha e mais 22 embarcações de menor porte na área do estado do Rio de Janeiro.

Já a Aeronáutica empregou dez aeronaves no apoio logístico ao evento, dentre as quais helicópteros H-60 Black Hawk e VH-34/H-34 Super Puma. Outras aeronaves estiveram à disposição para eventuais possibilidades de emprego e dois helicópteros “olho de águia”, do Exército, sobrevoaram a praia de Copacabana durante os eventos.

Desmobilização em Guaratiba
Por conta das chuvas que assolaram a região doCampus Fidei, em Guaratiba, todas as atividades marcadas para o local foram transferidas para a praia de Copacabana. Com isso, os dois hospitais de campanha (um da Marinha e outro do Exército), montados especialmente para o evento, foram desmobilizados, sem que houvesse necessidade de deslocamento dessas estruturas para o novo espaço das celebrações.

Para atendimento médico dos peregrinos, seis postos de saúde no calçadão de Copacabana foram utilizados pelos socorristas da Cruz Vermelha e do Corpo de Bombeiros. Até ontem (27), esses seis postos haviam atendido 670 pessoas, contabilizando um chamado a cada três minutos. Do total, foram feitas 16 remoções para hospitais do Rio de Janeiro, sendo cinco delas de fiéis estrangeiros.

Com a mudança da temperatura na manhã de hoje e a grande quantidade de pessoas que passou a noite pelas ruas em vigília de oração, o trabalho dos socorristas intensificou. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a maioria dos atendimentos foi por “mal súbito”.

Papamóvel

Durante o final de semana, o sumo pontífice Francisco utilizou o papamóvel para passar pelos cerca de 3 milhões de fiéis que acenavam para ele ao longo de toda a extensão da orla de Copacabana. Tanto no sábado quanto no domingo, militares estiveram presentes na rota de passagem do papamóvel, para garantir o mínimo de distância das pessoas com a santidade.

No sábado, uma multidão o aguardava às 18h. Meia hora depois de pousar no Forte de Copacabana, o papa passou pelos peregrinos e logo em seguida realizou a vigília na praia. Hoje, a passagem do papamóvel foi pela manhã, antes da celebração da missa de encerramento da Jornada, que teve início às 10h. Novamente, milhares de pessoas acenaram, cantaram e tiraram fotos do representante máximo da Igreja Católica.



A missa de encerramento contou com a presença da presidenta da República, Dilma Rousseff, além da presidenta da Argentina (país natal do papa), Cristina Kirchner, e do presidente da Bolívia, Evo Morales. Na ocasião, o pontífice anunciou o local e a data da próxima Jornada Mundial da Juventude. Ela será realizada em Cracóvia, na Polônia, em 2016. A escolha pelo país deu-se em homenagem ao local de nascimento do papa João Paulo II.